A fixação gay de um heterossexual
Uma pessoa que faz piadinhas de gays, constantemente, é gay?
Outro dia estava com um grupo de rapazes, indo para a filial da empresa onde trabalho, quando percebi que um deles, de 22 anos, passou quase todo o percurso falando, satirizando ou brincando de ser gay. Até ai, tudo bem, brincar é bom e torna a vida mais divertida, mesmo utilizando-se de gays caricatos, como se fossem os únicos a existir. Porém, durante o percurso, me lembrei que ele não fazia isso somente naquele momento, mas desde quando nos conhecemos, há mais de duas semanas. E que, com certeza, ele já brincava desta forma antes mesmo de me conhecer e saber que eu era gay.
Como eu também gosto de brincar, para sacaneá-lo, resolvi explicitar uma observação que, até então, era apenas minha. Disse, em voz alta: ''Fulano, não é por nada não, mas desde quando nos conhecemos, eu percebo que todas as suas brincadeiras sempre envolvem gays. Vez ou outra, mesmo não brincando, você arruma um jeito, e muitas vezes sem perceber, de citar ou incluir a homossexualidade no assunto. A cada 10 manifestações suas, pelo menos 7 ou 8 envolvem gays. Diz ai, porque tanta fixação? Do que você tem tanto medo? O que você esconde? Porque fala tanto neste assunto?"
Deste momento em diante foi uma azaração só com ele. Eu ainda citei outros exemplos, de outros rapazes ali presentes, que também faziam a maior pose de "pegador de mulheres" mas que, raramente, tocavam no assunto. Ele, já vermelho, tentou se explicar e se embaralhou todo. Eu falei, deixa quieto. E assim ficou por um bom tempo.
O interessante é que, depois daquele dia, ele diminuiu drasticamente essas brincadeiras. E sempre quando ia brincar, dava uma olhada para ver se eu estava por perto. Como se fala-se a si mesmo: a observação que ele fez não tem nada a ver com a minha sexualidade, porém, ele pode estar certo em algo, alguma coisa pode ter lá no fundo, melhor eu evitar.
Claro que o caso deste rapaz não é tão incomum quanto imaginamos. Eu já observei, por exemplo, um jovem quase na mesma idade e com a mesma fixação gay. Entretanto, depois de uns 10 minutos imitando gays caricatos, ele fica sério de uma hora para outra e começa a falar de "minas gostosas" que ele pegou ou vai pegar. Confesso que essa quebra de ritmo e assunto é, para quem esta próximo, muito estranho. Em seguida, ele volta a imitar gays e, depois, falar de mulheres. Como um ciclo sem fim.
Este segundo rapaz, apesar de acompanhá-lo há mais de 4 meses em um curso que faço, não tenho contato com ele e, consequentemente, nunca vou ter a oportunidade de falar sobre isso. Mas, torna-se claro pra mim, após ter representado um gay, o quanto a necessidade dele de mostrar que é homem, por gostar de mulher (como se o gay deixasse de ser homem por isso), o perturba.
Neste ponto, cabe aqui esclarecer que, alguém que brinca de ser gay de vez em quando, não necessariamente gostaria de ser gay ou tem desejos homossexuais. Entretanto, alguém que brinca demasiadamente ou usa o tema com muita freqüência, fora do comum, alguma coisa tem, pois esse "alguma coisa" é o que torna o assunto fixo e sempre presente nas brincadeiras ou conversas do dia-dia.
É óbvio que a resposta exata, do que acontece internamente com cada um, nunca teremos e, em muitos casos, por ser algo inconsciente, até eles desconhecem o que se passa dentro de si. Mas, sendo bem sincero, nem é da nossa conta se Fulano ou Cicrano é, ou tem vontade de ser gay. Se ele fosse, seria até melhor, pois pararia com isso (ou você já viu um gay assumido, socialmente, imitando um gay caricato?).
Mesmo assim, existem comportamentos que beiram a obsessão e que merecem nossa profunda atenção, como diversos casos de usuários de comunidades na Internet (e o Orkut é campeão por sua facilidade de uso) onde eles investem tempo entrando em comunidades de gays para criticar compulsivamente gays, ou ainda certas figuras públicas (políticos, radialistas, religiosos, etc) que são foco na imprensa por estarem sempre indo contra a homossexualidade e contra os homossexuais. De forma compulsiva e obsessiva.
Então, neste caso, a pergunta é muito mais importante que a resposta. Porque estas pessoas têm tanta fixação no assunto? O que as move internamente? O que elas querem provar, ou negar? Do que tem medo? O que escondem?
Enfim, para todas estas pessoas, a pergunta que devemos sempre fazer, ignorando qualquer resposta rápida, automática, defensiva e superficial é: DA ONDE VEM TANTA FIXAÇÃO GAY?
Quem sabe assim uma resposta apareça, não pra gente, mas para eles mesmos. Pois como dizem os sábios, só a verdade liberta (pelo menos é o que se espera na maioria destes casos). Então, se você conhece alguém assim, recomende este artigo para ele. Sem pretensão alguma. Afinal, repetindo, A PERGUNTA É MAIS IMPORTANTE QUE A RESPOSTA:
Da onde vem tanta fixação gay?

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